Itaperuna

Rio de Janeiro, Brasil | População: 101.041 habitantes (est. 2022)

O processo de ocupação de Itaperuna foi lento porque a região, hoje conhecida como Noroeste Fluminense, permaneceu praticamente inexplorada por cerca de dois séculos. Os primeiros núcleos de povoamento surgiram no século XIX, impulsionados pela instalação da Fazenda Porto Alegre nos anos 1830. Com o crescimento populacional, o povoado ascendeu à condição de vila em 1885 e de cidade em 1889, consolidando-se como polo regional. A Estrada de Ferro Carangola, inaugurada no município em 1883, favoreceu a ocupação e integrou Itaperuna aos principais centros econômicos, especialmente o Rio de Janeiro.

Itaperuna - RJ

No início da ocupação, prevalecia a criação extensiva de gado. É apenas no final do século XIX que se observa o rápido crescimento econômico da cafeicultura, cultura agrícola que estimula a colonização, o comércio e os serviços. A crise da atividade cafeeira, que se agudizou nos anos 1960, repercutiu fortemente no município, causando uma retração econômica. Gradativamente, outras atividades econômicas se tornam mais importantes, como a pecuária de corte que, posteriormente, é suplantada pela produção leiteira, especialmente a com a instalação da empresa Glória.

Segundo o último Censo demográfico, Itaperuna tinha uma população de 101.041, representando um incremento de 5,4% em comparação com o censo anterior, taxa bem acima do aumento estadual situado em 0,4%. Da população total, 95.235 residiam na área urbana (94,25%) e o restante, 5.8066 (5,75%), na área rural (IBGE, 2026). A projeção estimada de 2025 indicava 107.297 habitantes (tabela 1).

Tabela 1: População segundo situação de domicílio, rural e urbana, dos municípios da região Noroeste Fluminense, entre 1991 a 2022

Municípios

1991

2000

2010

2022

Rural

Urbana

Rural

Urbana

Rural

Urbana

Rural

Urbana

Aperibé

1.176

6.842

1.335

8.878

908

10.126

Bom Jesus do Itabapoana

8.693

21.180

6.230

27.425

5.484

29.927

3.805

31.368

Cambuci

11.649

9.362

4.724

9.946

3.535

11.292

2.614

12.002

Italva

6.412

6.352

4.010

8.611

3.821

10.242

3.132

10.941

Itaocara

9.439

13.494

7.075

15.928

5.573

17.326

4.246

18.673

Itaperuna

16.258

61.742

9.856

76.864

7.743

88.368

5.806

95.235

Laje do Muriaé

3.660

3.804

2.285

5.624

1.850

5.637

1.696

5.640

Miracema

4.137

20.954

3.307

23.757

2.102

24.741

1.617

25.264

Natividade

9.629

12.136

3.384

11.741

3.036

12.046

1.752

13.322

Porciúncula

5.026

9.535

4.075

12.018

3.870

13.890

3.426

13.862

Santo Antônio de Pádua

28.025

11.575

9.277

29.415

9.489

31.100

3.527

37.798

São José de Ubá

4.087

2.326

3.905

3.098

3.635

3.435

Varre-Sai

3.722

4.132

3.685

5.790

3.626

6.581

Fonte: IBGE, Censos 1991, 2000, 2010 e 2022. Org: Erika Moreira

O PIB municipal do ano 2021 revela o peso das atividades comerciais e de serviços, responsáveis por R$ 1,6 bilhões (53,4%) do valor adicionado bruto em 2021, seguida por Administração, defesa, educação e saúde públicas e seguridade social, com R$ 867,9 milhões (28,2%), indústria com R$ 485 milhões (15,8%), e agropecuária, com R$ 79,7 milhões (2,6%).

Nos últimos anos, o município se tornou um polo estudantil, contando com universidades privadas, escolas técnicas e um Campus do Instituto Federal Fluminense (IFF). Além disso, o setor da saúde possui forte relevância local e regional, com serviços especializados e presença de equipamentos de saúde de média e alta complexidade. Por concentrar parcela relevante destes serviços, Itaperuna se coloca como um lugar central dentro da sua região geográfica imediata, contribuindo para o incremento dos fluxos de pessoas que se dirigem para este centro em busca de serviços especializados (Gonçalves; Santos, 2020, p. 340).

A cidade é um centro regional importante no Noroeste Fluminense, destacando-se na captação e no beneficiamento de produtos agrícolas, especialmente de produtos lácteos, abrigando uma unidade industrial do grupo Nova Mix. No caso das principais atividades industriais, quatro delas respondem por parcela importantes dos empregos, com destaque, respectivamente, para produtos lácteos, processamento de produtos de carnes, confecção de roupas íntimas e fabricação de reboques e eixos de caminhões.

Não obstante, o Noroeste Fluminense tem, dentro do Estado do Rio de Janeiro, os piores indicadores socioeconômicos, apresentando o menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita, o maior percentual de pobres e a menor renda domiciliar per capita. Na região, o município de Itaperuna possuía o menor percentual de pobres (26,2%), taxa superior à média do estado (Sebrae, 2016).

Referências

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022: resultado populacional. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.

MOREIRA, E. V.; CHAGAS, S. V. S. A. S.; SILVA, M. T. V. M. O Noroeste Fluminense e a atividade leiteira: desafios para agricultura familiar. In: Marcelo Werner da Silva; Tatiana Tramontani Ramos; Daniel de Albuquerque Ribeiro. (Org.). Pesquisas socioespaciais e ambientais. 1ed.São Carlos: Cubo, 2021, v. 1, p. 146-162.

GONCALVES, M. A.; SANTOS, Leandro Bruno. Itaperuna-RJ: estudo da centralidade interurbana a partir dos seus serviços de saúde e educação. Brazilian Geopraphical Journal:, v. 11, p. 138-158, 2020.

SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS DO ESTADO DO RIO DO JANEIRO. Painel regional: Noroeste fluminense / Observatório Sebrae/RJ. Rio de Janeiro: SEBRAE/RJ, 2016.

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