Macaé

Rio de Janeiro, Brasil | População: 246.391 habitantes (est. 2022)

A fundação de Macaé está ligada ao processo de ocupação colonial do litoral norte do atual estado do Rio de Janeiro, iniciado pelos portugueses no século XVII. Antes da chegada dos europeus, a região era habitada por povos indígenas, principalmente os goitacás e os tamoios, que utilizavam os rios, lagoas e o litoral para caça, pesca e deslocamento. Ao longo dos séculos XVII e XVIII, o desenvolvimento das atividades agrícolas favoreceu a consolidação do povoamento local. Em 1813, a então Vila de São João de Macaé foi desmembrada da Vila de Cabo Frio, conquistando autonomia político-administrativa.

Macaé - RJ

O cultivo da cana-de-açúcar constituiu o principal alicerce da economia e do crescimento demográfico de Macaé entre os séculos XVIII e XIX. No início do século XX, a estrutura produtiva local era composta, sobretudo, pela produção de cana-de-açúcar e café, além da pecuária e da pesca. A partir da década de 1980, entretanto, a estrutura produtiva e a organização urbana do município foram profundamente transformadas após Macaé ser escolhida como base das operações offshore da Petrobras na Bacia de Campos. A menor distância em relação aos campos de exploração, a existência de infraestrutura urbana e portuária — especialmente o Porto de Imbetiba —, conforme apontado por Crespo (2003) e Fauré (2004), foram fatores determinantes para essa escolha.

Além da instalação da base operacional da Petrobras, o município passou a receber diversas empresas nacionais e estrangeiras ligadas ao circuito produtivo do petróleo, sobretudo prestadoras de serviços de apoio offshore. Não por acaso, Macaé ficou conhecida como a “capital nacional do petróleo”. Embora as transferências de royalties e as atividades de apoio offshore permaneçam como os principais vetores da economia local, as elevadas rendas geradas pelo setor de petróleo e gás impulsionaram outros segmentos, como a construção civil, o turismo de negócios, o comércio, os shopping centers, a hotelaria e a alimentação.

Atualmente, Macaé é o principal mercado de trabalho municipal não metropolitano do estado do Rio de Janeiro. Em 2025, o município contava com aproximadamente 141 mil empregos formais. Segundo o Censo Demográfico de 2022, sua população era de 246.391 habitantes, representando um crescimento de 19,7% em relação a 2010, um dos maiores registrados entre os municípios fluminenses nas últimas décadas.

Do ponto de vista morfológico, a urbanização de Macaé ocorreu de forma longitudinal, estendendo-se de norte a sul ao longo da Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106) por cerca de 28 quilômetros. As unidades da Petrobras no Parque de Tubos e a Unidade Processadora de Gás Natural de Cabiúnas constituem importantes marcos da mancha urbana. Esse processo de expansão foi impulsionado pela intensa imigração de trabalhadores atraídos pelas oportunidades de emprego geradas pelo setor de petróleo e gás. Entretanto, muitos dos postos de trabalho de maior remuneração exigem elevada qualificação profissional, restringindo o acesso de parte da população a essas ocupações. Como reflexo, a cidade apresenta uma expressiva diferenciação socioespacial, caracterizada, em linhas gerais, pela concentração da população de menor renda na porção norte do município e da população de maior renda na porção sul.

Bibliografia

CRESPO, Nelson. E Campos dos Goytacazes perde a corrida do petróleo. In: PIQUET, Rosélia (Org). Petróleo, royalties e região. Rio de Janeiro: Garamond 2003 p. 239-256.
FAURÉ, Yves. Internalizar as oportunidades do petróleo e diversificar a economia municipal. In: FAURÉ, Yves; HASENCLEVER, Lia. O Desenvolvimento local no Estado do Rio de Janeiro: estudos avançados nas realidades municipais. Rio de Janeiro: E-Papers, 2004, p. 215-322.

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