A ocupação mais efetiva de Campos dos Goytacazes ocorreu no início do século XVII, depois de muita resistência dos povos nativos denominados Goitacás. O processo de colonização iniciou-se com a introdução de currais e a criação de bovinos, resultando na fundação da Vila de São Salvador no ano de 1677. No início, a base produtiva se baseava na agropecuária que, ao longo do tempo, foi suplantada pela agroindústria açucareira. A cana-de-açúcar se consolidou no século XVIII, com os engenhos, que logo foram sucedidos pelas usinas. Essa atividade teve relevância até os anos 1970, entrando em colapso nas décadas seguintes com o fim do Proálcool e a crise do ramo no Norte Fluminense (Bernardes, 2014).

Com a crise do setor sucroalcooleiro, a indústria de cerâmica vermelha se expandiu e tornou-se a principal atividade da indústria de transformação local, abrangendo mais 200 estabelecimentos que geram ao redor de 2.000 empregos formais (Oliveira; Santos, 2021). Além disso, a partir dos anos 1980, com os avanços da exploração de poços offshore na Bacia de Campos, Campos dos Goytacazes assume papel importante na oferta de serviços especializados e mão de obra qualificada para a exploração de petróleo. O valor adicionado bruto revela essa importância, na medida em que a indústria respondeu, no ano de 2021, por 57% do total, sendo grande parte disso por causa da exploração de petróleo, cujas receitas são contabilizadas como setor secundário. Na sequência, temos comércio e serviços, com 30,4%, Administração, defesa, educação e saúde públicas e seguridade social, com 11,6%, e agropecuária, com 1%.
Segundo o último Censo demográfico, Campos dos Goytacazes tinha uma população de 483.551, apresentando um aumento de 6,45% em relação ao censo anterior, taxa superior ao aumento da população estadual, que foi de apenas 0,4%. Da população total, 452.346 residiam na área urbana (93,55%) e 31.194 (6,45%) na área rural. A população estimada pelo IBGE foi de 519.259 no ano de 2025.
Os dados do Novo Caged revelam que o setor terciário de comércio e serviços se expandiu e se tornou o principal gerador de empregos. Em finais de 2025, havia um estoque de 84.831 empregos formais em Campos dos Goytacazes, dos quais 47.487 (56,0%) nos serviços, 22.872 (27,0%) no comércio, 8.164 (9,6%) na indústria, 4.485 e (5,3%) na construção e 1.823 (2,1%). Se antes a influência de Campos dos Goytacazes sobre a rede de localidades centrais do Norte Fluminense se alicerçava na cana de açúcar, atualmente o que se nota é a maior relevância das atividades comerciais e de serviços, especialmente o ensino superior (Piquet; Givisiez; Oliveira, 2006).
A dinâmica econômica impulsionada pelo petróleo e pela expansão das atividades comerciais e de serviços, porém, conforme apontam Claudio; Santos (2019), não propiciou a distribuição equitativa dos investimentos públicos, pois manteve a concentração nas áreas centrais e nos eixos de expansão imobiliária. A desigualdade socioespacial em Campos dos Goytacazes se manifesta de forma nítida e territorializada, tendo como principal divisor o Rio Paraíba do Sul.
Observa-se que a exclusão social se materializa em bairros como Parque Guarus, Cidade Luz e Prazeres, onde a falta de direitos básicos compromete a cidadania e a qualidade de vida da população, evidenciando que a riqueza gerada na cidade não se traduz em inclusão social para todos os seus habitantes. Enquanto a margem direita do rio concentra as áreas de maior valorização fundiária, com acesso a infraestrutura e serviços, a margem esquerda, especialmente a região norte da cidade, é marcada pela sobreposição de indicadores negativos, como a alta concentração de pessoas por domicílio, baixas escolaridade e renda, além da precariedade do saneamento básico.
Referências
BATISTA, Henrique F.; SANTOS, Leandro B. Campos dos Goytacazes: de uma cidade mononucleada à multi(poli)centralidade. Brazilian Geographical Journal: Geosciences and Humanities research medium, Ituiutaba, v. 9, n. 2, p. 04-24, jul./dez. 2018.
BERNARDES, J. A. Reescrevendo a história do Norte Fluminense sucroalcooleiro no contexto da última modernidade. In. BERNARDES, J. A.; SILVA, C. A. (Org.). Modernização e território: entre o passado e o presente do Norte Fluminense. 1ed. Rio de Janeiro: Lamparina/CAPES,2014, p.12-22.
CLAUDIO, Glaucia de Oliveira; SANTOS, Leandro Bruno. Os espaços da exclusão social na cidade de Campos dos Goytacazes – RJ. Revista Cerrados, Montes Claros, v. 17, n. 2, p. 66-95, jul./dez. 2019. DOI: https://doi.org/10.22238/rc24482692201917026695. Disponível em: https://www.periodicos.unimontes.br/index.php/cerrados/article/view/44/40. Acesso em: 23 jul. 2026.
OLIVEIRA, Ana Carolina Carvalho Rangel;
SANTOS, Leandro Bruno. Aglomeração Produtiva da Indústria de Cerâmica Vermelha em Campos dos Goytacazes-RJ: Origem, Estrutura e Dinâmicas Territoriais. Espaço & Geografia, Brasília, DF, v. 26, n. 1, p. 45-70, jan. 2023. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/espacoegeografia/article/view/40272/40938. Acesso em: 23 jul. 2026.
PIQUET, R.; GIVISIEZ, G. H. N.; OLIVEIRA, E. L. de. A nova centralidade de Campos dos Goytacazes: o velho e o novo contexto regional. RDE – Revista de Desenvolvimento Econômico, v. 9, n. 16, p. 39-58, 2008.











