EIXOS TEMÁTICOS

Centro, centralidade e rede urbana

Coordenadora: Doralice Sátyro Maia
E-mail: dsatyromaia@gmail.com

Equipe envolvida (docentes)

Doralice Sátyro Maia; Rafael Winter; Saint-Clair Trindade Jr; Paula Dieb Martins; Camila Coelho Silva

Equipe envolvida (discentes)

Bruno Gilmar Silva Medeiros; Vinicius José da Costa Rodrigues; Letícia Bomfim

Formulação do problema

A temática requer a perspectiva interescalar, ou seja, as pesquisas se voltam para o espaço intraurbano, mas também para o urbano-regional. Destaca-se que as problemáticas e as questões que norteiam a temática se conectam diretamente as demais. A produção acadêmica a respeito dos centros antigos, ou como muitos denominam, centros históricos das cidades é encontrada nos diferentes campos dos estudos urbanos, no sentido amplo do termo.

Certamente a preocupação com os centros antigos e, particularmente, com o que no Brasil se define como centro histórico se faz presente nas reuniões científicas e nas instituições de preservação do patrimônio histórico.

Contudo, a proposta ora apresentada não tem como foco o centro histórico em si mesmo, mas sim, a problemática da moradia e a do patrimônio nestas áreas que se revelam em muitas das cidades brasileiras pelo abandono, pelo descaso político, pela ausência de dinamismo econômico que tanto caracterizam as áreas centrais das cidades.

Os estudos realizados pela rede de pesquisadores sobre cidades médias, a ReCiMe , mostram que apesar da existência deste mesmo “movimento”, os centros dessas cidades mantêm-se nitidamente como a principal área de comércio, serviços, religiosidade e festas, inclusive daquelas que já apresentam outras áreas de concentração comercial e de serviços, o centro tradicional é o centro principal.

Muito embora haja sobremaneira uma concentração das atividades do setor terciário da economia nas áreas centrais, fato é que estes espaços não deixaram de ser utilizados para moradia.

A permanência do uso residencial nos centros das cidades também não é homogêneo. Certamente que quanto mais pulsante economicamente se constitui a área central, menos residências ali se encontram, a exemplo de Uberlândia em Minas Gerais, Campina Grande, Caruaru, Campos dos Goytacazes (Brasil).

Porém, isso não significa o desaparecimento do uso residencial nestes centros. O centro também é fruto de uma disputa, na qual entram interesses contraditórios entre os deslocamentos para fins diferentes de uma mesma classe social. E a questão da habitação se destaca.

Acrescenta-se que em algumas cidades estudadas, observam-se sinais de mudança na “vida” dos seus centros antigos no que se refere ao habitar: a disponibilidade e oferta de apartamentos ou quartos para aluguel por temporada. Certamente que este movimento não ocorre em todas as cidades estudadas pela ReCiMe mas que se manifesta com mais força naquelas onde o turismo se manifesta com mais força.

Dinâmica urbano regional

Este foi esboçado pensando ainda na Amazônia: Pensar a Amazônia em abordagem descentrada se faz necessário. Isso é válido para as cidades da região, mormente vistas a partir de concepções de centralidades urbanas que tomam como referência outras realidades do Brasil e do mundo.

Avançar em relação a essa forma de interpretação exige lidar com uma pluralidade de agentes e atividades que tendem a contribuir para uma leitura das particularidades regionais.

Nessa perspectiva, tomando-se como referência empírica a cidade de Santarém (Pará), busca-se estabelecer uma leitura sobre as cidades intermediárias da rede urbana amazônica para além das suas centralidades econômico-corporativas, dando-se visibilidade àquelas outras nomeadas de centralidade socioterritoriais.

Definição de variáveis para a pesquisa

Para a análise do centro e dos conjuntos históricos: Documentos urbanísticos – Plano Diretor e/ou decretos; número de domicílios permanentes; renda familiar por domicílio; imóveis para locação e para venda com preços; número e localização de imóveis para aluguel por temporada; as possíveis operações urbanas, tais como projetos de requalificação, reestruturação, renovação, etc. Para a análise urbano-regional: a) demandas socioterritoriais de populações tradicionais, como as populações indígenas, ribeirinhas e de pequenos produtores rurais, responsáveis por configurar centralidades urbanas na cidade de Santarém (Pará). b) atividades e equipamentos urbanos e comunitários, bem como os de natureza infraestrutural, relacionados a atividades/serviços econômicos, sociais e culturais, de natureza não clientelista e/ou corporativa, e que sejam, portanto, ratificadores de cidadania/florestania de populações locais/regionais e de afirmação do direito à cidade no contexto regional amazônico

Plano analítico e interpretativo

Centro e Conjuntos Históricos: Aportes da teoria crítica. O método para o entendimento da conformação do centro utilizaremos o método progressivo regressivo proposto por Henri Lefebvre. A base teórica também estará apoiada na compreensão da produção do espaço. A perspectiva metodológica também estará apoiada na proposta de Sposito: (Sposito, 2023): Quantidade e Qualidade; Entrecruzamento espaço – temporal; Articulação entre escalas; Forma e Processo. Urbano-Regional: Considerando aportes da teoria crítica urbana, especialmente das contribuições provenientes de autores como Henri Lefebvre, Milton Santos, David Harvey, Neil Smith e José de Souza Martins, o trabalho de levantamento, sistematização e análise de dados e informações será estruturado em três etapas, a saber: a) abordagem de tipologias de agentes que produzem o urbano de forma geral e, em particular, em cidades amazônicas, identificando nestas últimas as especificidades que permitem uma leitura da dinâmica urbano-regional da cidade de Santarém (Pará). b) a partir das particularidades regionais e da leitura da produção social do espaço urbano de Santarém, estabelecer o reconhecimento de agentes locais/regionais produtores do urbano, de maneira a relacionar suas demandas às políticas/intervenções urbanas colocadas em práticas nas três última décadas. c) identificar e analisar as centralidades socioterritoriais como respostas às demandas de populações locais/regionais, em contraponto àquelas de natureza econômico-corporativas presentes no espaço urbano de Santarém, de forma a contribuir com elementos empíricos e teóricos para pensar em possíveis arranjos cívico-territoriais como componentes de um ordenamento territorial mais cidadão para o espaço urbano-regional amazônico.

O tema foi desmembrado em eixos para melhor organizar a pesquisa?

A princípio se visualiza uma subdivisão: 1.1 Centro e Conjunto Histórico (conformação da área central da cidade e se há registro de uma definição de centro histórico); 1.2 Cidades e Patrimônios Históricos; 1.3 Cidade e região.

Recorte Territorial

Paraty, Passo Fundo, Patos.

Recorte Temporal

O recorte temporal será definido de acordo com os sub-eixos temáticos.

A equipe possui financiamentos complementares para desenvolvimento da pesquisa?

Sim, mas de um projeto em finalização até dezembro de 2026.

Procedimentos para a pesquisa

Levantamento de dados censitários; Levantamento da legislação urbana nacional, estadual e local, em especial sobre o patrimônio histórico e cultural; representação cartográfica; levantamento de dados em plataformas de locação de imóveis, etc. (ainda a ser melhor definido).

Fontes para o desenvolvimento da pesquisa

DE OLIVEIRA MORAES, André; SCHOR, Tatiana. As redes urbanas na Amazônia: a cidade como o começo e o fim. Revista Geográfica de América Central, 2011, vol. 2, p. 1-16.MAIA, Doralice Sátyro; DA SILVA, William Ribeiro; WHITACKER, Arthur Magon. Centro e centralidade em cidades médias. Cultura Acadêmica Editora, 2017; MAIA, Doralice Sátyro. Ruas, casas e sobrados da cidade histórica: entre ruínas e embelezamentos, os antigos e os novos usos. X Coloquio de Internacional de Geocrítica, Barcelona, 2008, p. 26-30. MAIA, Doralice Sátyro. De centro tradicional a centro modernizado: permanências e transformações. Organização: José Alberto V. Rio Fernandes e, 2018, p. 171. RIBEIRO, Rafael Winter. A política da paisagem em cidades brasileiras: instituições, mobilizações e representações a partir do Rio de Janeiro e Recife. A paisagem como problema: conhecer para proteger, gerir e ordenar. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2018, vol. 5, p. 155-170. SCHOR, Tatiana. As cidades invisíveis da Amazônia brasileira. Mercator-Revista de Geografia da UFC, 2013, vol. 12, no 28, p. 67-84. TRINDADE JR, et al. Pensando a modernização do território e a urbanização difusa na Amazônia. Mercator (Fortaleza), 2015, vol. 14, p. 93-106. TRINDADE JR, Saint-Clair Cordeiro da Trindade. Cidades, urbanização e urbanodiversidade na Amazônia brasileira. Confins. Revue franco-brésilienne de géographie/Revista francobrasilera de geografia, 2026, no 70. TRINDADE JÚNIOR, Saint-Clair Cordeiro; DA TRINDADE, Gesiane Oliveira; DE OLIVEIRA, Helbert Michel Pampolha. Modernização do território e cidade média na Amazônia paraense: Santarém, entre horizontalidades e verticalidades geográficas. Sociedade, Campo Social e Espaço Público, 2014, p. 89. WINTER RIBEIRO, Rafael; DE AZEVEDO, Daniel Abreu. UNESCO cultural landscape in historic city centres: institutional challenges of political participation based on management in Paraty (Brazil). International Journal of Heritage Studies, 2026, p. 1-19. RIBEIRO, RAFAEL WINTER. Ambiência: conexões entre o sensível e o patrimônio. REFLEXÕES URBANAS: PERSPECTIVAS, 2025, p. 17.

Previsão de formação de pessoal.

IC, mestrado, doutorado e Pós-doc. em 4 anos
3 pós-doutores; 3 doutores; 3 mestres; 4 IC.

Previsão de possibilidades de divulgação científica

3 artigos científicos por ano; sendo um referente a cada eixo. 6 trabalhos apresentados em congressos científicos

Qual a intervenção junto à sociedade que poderá ser desenvolvida com o tema da pesquisa?

No sub-eixo centro e conjuntos históricos, busca-se ação em parceria com movimentos sociais de luta pela moradia nas cidades onde há atuação destes agentes sociais. Nestas cidades serão realizadas atividades de formação a respeito dos conteúdos normativos urbanos e patrimoniais, utilizando-se como ferramenta a cartografia social.

Cronograma para o primeiro ano de pesquisa

Maio de 2026: Definição do plano de ação do eixo temático; Julho: Definição dos procedimentos metodológicos; Setembro: reunião com os pesquisadores de maneira virtual para dar continuidade as ações planejadas; Outubro: reunião com os pesquisadores de maneira virtual para relato das ações executadas; Novembro: Apresentação e discussão dos primeiros resultados; Dezembro: planejamento das ações para o segundo ano de pesquisa.

Instituições dos membros da equipe

UFRJ, UFPB, Unimontes, UFPA, CEDEPLAR

Nível de integração prévia da equipe envolvida

Há interação em termos de pesquisa entre algumas integrantes; mas também em histórico de participação na ReCiMe.

Procedimentos para elaboração do plano e do roteiro da pesquisa do tema em questão

O roteiro de pesquisa está em fase provisória, elaborado a partir de experiência de projetos anteriores. A equipe não conseguiu se reunir e avançar na proposta.

OUTROS TEMAS

Produção

Edital Interno – Bolsas DRI-CAPES INCT/ReCiMe 2026

Considerando o desenvolvimento do projeto do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Rede de Pesquisadores sobre Cidades Médias (INCT/ReCiMe), apoiado pela CHAMADA CNPq/SECTICS/CAPES/FAPs...

VI CIMDEPE – Simpósio Internacional sobre Cidades Médias – Desigualdades e transformações urbanas

Será realizado, de 4 a 6 de maio de 2027, na Universidade do Porto, Portugal, a sexta edição do Simpósio Internacional sobre Cidades Médias....

A ReCiMe agora é um INCT

Início das atividades Em novembro de 2025 foi iniciado formalmente o projeto de criação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Rede de Pesquisadores...

Seminário Brasil-Espanha de Geografia

Embora se tenham matrizes teóricas e metodológicas semelhantes em suas origens, as Geografias brasileira e espanhola revelam similaridades e distinções oriundas de seus contextos...

INCT/ReCiMe – Rede de Pesquisadores sobre Cidades Médias Aprovado no CNPq

Em breve será formalizada a criação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Rede de Pesquisadores sobre Cidades Médias (INCT/ReCiMe) que foi aprovado...